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Incêndios Florestais no Brasil e no Mundo

Precisamos falar sobre os incêndios! No Brasil e no mundo, aumentam os focos de incêndios na época da seca, matando animais, plantas, pessoas, e alterando profundamente a biodiversidade do Planeta. ⁣

Dados da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, e do Sistema Copernicus, da União Europeia, revelam que os incêndios em Nova Gales do Sul (Austrália), no  Ártico Siberiano, na costa oeste dos Estados Unidos e no Pantanal brasileiro foram os maiores de todos os tempos, com base nos 18 anos de dados sobre incêndios florestais globais compilados pelas organizações.

Segundo a Organização Global Forest Watch temos duas causas principais que estão causando o ritmo acelerado desses incêndios : a mudança climática juntamente com o desmatamento. Não é obviamente a primeira vez que as florestas estão tendo que passar por períodos de mudança climática, as florestas que temos hoje foram moldadas em parte pelo aquecimento no final da última era do gelo. Estudos de pólen fossilizado sugerem que a floresta amazônica, por exemplo, resistiu ao clima mais frio e seco da última era do gelo e potencialmente várias eras do gelo que a precederam, tornando-a um ecossistema incrivelmente resiliente.

Então, o que há de diferente na mudança climática desta vez?
Se as florestas suportaram milhões de anos de flutuações climáticas, por que o aumento das temperaturas atuais é motivo de preocupação? Por um lado, as mudanças climáticas estão acontecendo rapidamente desta vez. A temperatura global já subiu 2 graus desde que os registros começaram na década de 1880. A Terra normalmente experimenta ciclos climáticos na escala de centenas de milhares de anos. Isso não quer dizer que a rápida mudança climática nunca aconteceu na Terra antes. O impacto do asteróide que matou os dinossauros causou um resfriamento global dramático em questão de décadas. Mas as mudanças climáticas em escalas de tempo curtas quase sempre estão associadas a eventos de extinção em massa. Aproximadamente 75% das espécies conhecidas foram exterminadas junto com os dinossauros. O clima global e as mudanças de temperatura em escalas de tempo curtas representam uma séria ameaça à biodiversidade da Terra.

Florestas X Mudança climática
A ligação entre florestas, mudanças climáticas, desmatamentos  e incêndios é um ciclo vicioso de destruição. À medida que o clima esquenta (o que é intensificado pelo alarmante nível de emissões de carbono), os ecossistemas florestais sofrem danos e degradação que favorecem os incêndios. Os incêndios provocam um boom na emissão de carbono : pelo próprio incêndio em si e por degradar drasticamente ou até extinguir um ecossistema florestal . Com a degradação dessas florestas e a consequente falta de captura de carbono, as emissões aumentam. Com mais emissões de carbono, o clima tende a esquentar causando novamente degradação no sistema. E tudo isso é intensificado pelas elevadas taxas de desmatamento que degradam os ecossistemas e os tiram do equilíbrio.

Gráfico causas

Nas florestas tropicais especificamente, o aquecimento global leva a menos chuvas. Alguns pesquisadores levantam a hipótese de que atingir um certo limite de secagem pode empurrar a Amazônia para um ponto de inflexão ecológico, onde o meio ambiente não é mais capaz de sustentar uma floresta. A maior floresta tropical do mundo pode se transformar em savana em menos de 50 anos.
Também foi demonstrado que o aumento da temperatura do solo libera mais dióxido de carbono e temperaturas mais altas de níveis elevados de dióxido de carbono podem, na verdade, retardar o crescimento das plantas, comprometendo sua capacidade de continuar sequestrando carbono. Isso tem sérias implicações para os programas que tentam combater as mudanças climáticas por meio do plantio de árvores. Embora proteger e restaurar florestas possa ser essencial para desacelerar as mudanças climáticas, reduzir as emissões de carbono também é fundamental para preservar as florestas em primeiro lugar. Os impactos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos desde os trópicos até a região boreal. Se o aquecimento continuar, as florestas que conhecemos podem parecer muito diferentes nas próximas décadas.

Todos os anos, cientistas dizem que uma área de cerca de 4 milhões de quilômetros quadrados de floresta, tamanho aproximado da União Europeia, é queimada por incêndios florestais. Isso tem um sério impacto na biodiversidade e nos ecossistemas mundiais. Um relatório da Plataforma de Política Científica Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos advertiu no ano passado que cerca de 1 milhão de espécies animais e plantas estão ameaçadas de extinção, um recorde na história da humanidade.

No início de Setembro, a ONU alertou que o mundo falhou em cumprir totalmente todas as metas de proteção da biodiversidade que estabeleceu para esta década.

Causas específicas nos Ecossistemas brasileiros

Ao contrário das condições de seca na costa oeste dos Estados Unidos, os incêndios florestais no Brasil são causados principalmente pelo desmatamento, que alguns ambientalistas dizem ser motivados pelas políticas governamentais pró-agricultura e mineração.
Na Amazônia, os primeiros dias de Setembro tiveram 13.810 focos de queimada, um aumento de 85% em relação ao mesmo período de 2019. A causa maior são os grileiros e fazendeiros que provocam os incêndios para se apropriarem da terra para agropecuária e garimpo ilegal.
No Cerrado brasileiro, dados apontam que 4 mil hectares já foram consumidos pelos incêndios. Esse é o bioma que mais sofre com o avanço da agropecuária segundo orgãos de monitoramento.
Mas não são apenas as florestas tropicais da América do Sul que estão queimando. Ao sul da Amazônia, no Pantanal, os incêndios também estão intensos.
O bioma se estende por Brasil, Paraguai e Bolívia e é uma das áreas de maior biodiversidade do mundo.
O fogo já destruiu 15% da região, com 2,3 milhões de hectares.
Até quinta-feira (17/08), foram quase 16 mil focos de incêndios, o maior número de queimadas desde 1998, quando o Inpe começou a contabilizar essas estatísticas.
Só na primeira metade do mês de setembro, o número de focos já é quase duas vezes maior do que em todo o mês do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, o número de incêndios triplicou em relação ao mesmo período de 2019.
A polícia federal investiga a acusação de que fazendeiros tenham sido os responsáveis pelos incêndios atuais. “São fazendas em locais inóspitos, é difícil que esses focos tenham ocorrido de forma acidental. A suspeita é de que esses fazendeiros tenham feito a queima para aumentar a área de pastagem para gado, e o fogo acabou se alastrando para os parques nacionais e reservas”, explica o delegado da Polícia Federal em Corumbá, Alan Givigi.

Percebemos que a causa do aumento dos incêndios florestais mundiais é muito complexa, mas em suma, resulta da intervenção inconsequente do ser humano no meio ambiente. O ritmo desenfreado de consumo joga na atmosfera todos os anos toneladas de dióxido de carbono, acelerando o aquecimento global que desequilibra e destrói as florestas. No Brasil, o intenso ritmo de desmatamento para criação de gado, monoculturas de commodities e atividades mineradoras agrava cada vez mais a recuperação dos ecossistemas florestais.
Precisamos urgentemente tomar consciência de nossas escolhas como consumidores, pois somos nós, indivíduos que fazem parte de um todo, que podemos ditar o ritmo de produção mundial, e exigir que as marcas e indústrias produzam retornando em impacto positivo para o meio ambiente e para a sociedade.
E para isso eu criei FreedomeE, para que, através de relações de comércio e comunicação responsáveis, possamos gerar impacto positivo. Não existe Planeta B e junto podemos encontrar as respostas e soluções para um mundo melhor.

Fontes:
BBC Brasil
Global Forest Watch
Mídia Ninja Brasil